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24/01/2007

Tóquio, 22 jan (EFE) - Representantes de 60 países estudam medidas para interromper o processo de redução dos cardumes de atum durante uma reunião que começou hoje no Japão, país que mais consome e pesca esta espécie ameaçada.

A situação crítica na qual se encontram os atuns deixou em alerta os cinco Organismos Regionais para a Pesca (RFMO, em inglês), cujas jurisdições abrangem quase todos os mares do mundo.

O grupo decidiu, então, convocar a primeira reunião deste tipo na história na cidade de Kobe, no leste do Japão.

Entre os objetivos do encontro está a busca de um acordo global que permita preservar este peixe como recurso econômico, segundo a agência de notícias local \"Kyodo\".

Aproximadamente 300 participantes de países como os Estados Unidos, a Espanha e o Japão pretendem estabelecer uma rede de informação que permita um controle confiável sobre o número de capturas anuais, assim como das embarcações que praticam a pesca ilegal.

Não estão previstos a discussão sobre a redução das pescas mundiais de atum nem o estabelecimento de novas cotas, mas deve ser proposta a redução da quantidade dos barcos pesqueiros, que é muito superior à necessária para a cota autorizada.

Para acabar com a pesca predatória e coibir a pesca ilegal está sendo estudada a criação de um sistema de acompanhamento do atum desde o momento de sua captura até a chegada do peixe no mercado.

Outra das medidas que serão consideradas é a restrição do uso da rede de pesca com bainha, método que utiliza redes ao redor de um perímetro circular, capturando tudo o que se encontra nessa área.

Este procedimento já havia sido denunciado em inúmeras ocasiões pelas organizações ambientalistas devido ao grande número de animais que são capturados acidentalmente, como tubarões, tartarugas marinhas, pequenas baleias e golfinhos.

Organizações ambientalistas como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, em inglês) pediram aos Governos envolvidos que, na reunião de Kobe, sejam tomadas medidas para evitar a extinção do atum.

Em entrevista à Efe, o diretor do Programa Marinho do WWF, Simon Cripps, criticou os Governos por \"fecharem os olhos diante da pesca ilegal\" e afirmou que, em algumas regiões como o Mediterrâneo, \"o atum poderia se extinguir comercialmente em menos de um ano\".

A estimativa é confirmada pela Organização para a Alimentação e a Agricultura das Nações Unidas (FAO), que acredita que o número de exemplares de atum vermelho no Mediterrâneo está \"esgotado\", já que o volume de capturas caiu menos que o mínimo necessário.

O Japão, maior consumidor mundial de atum, é o único país que faz parte das cinco comissões internacionais para a conservação desta espécie.

Atualmente, peixes como o atum vermelho e o atum do Atlântico são submetidos a uma pesca predatória por causa da forte demanda em nível mundial.

Estas espécies são muito apreciadas no Japão e usadas na elaboração de pratos típicos como o sushi e o sashimi. Já na Europa e nos EUA, a demanda pelo peixe aumentou devido aos seus benefícios à saúde.

Segundo dados da FAO, Japão, Taiwan, Espanha e México foram os países onde se registrou o maior número de capturas de atum em 2004, quando o número total superou dois milhões de toneladas.

Em 2005, o Japão reconheceu ter ultrapassado a cota de atum vermelho do sul. Por isso, a comissão para a conservação do peixe estabeleceu que o país só poderá pescar 3 mil toneladas de atum por ano até 2011.

A reunião que teve início hoje em Kobe terminará na sexta-feira, quando será divulgado o plano de ação para a conservação das reservas de atum.

Fonte: Agência EFE



 

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